1
00:00:02,720 --> 00:00:08,720
A Haia Era Uma Vez um rei moço e
Valente, senhor de um Reino 

2
00:00:08,720 --> 00:00:11,960
abundante em cidades e searas, 
que partirá a batalhar por 

3
00:00:11,960 --> 00:00:15,320
terras distantes, deixando o 
solitário e triste a sua rainha 

4
00:00:15,320 --> 00:00:17,760
e um filhinho que ainda vivia no
seu berço. 

5
00:00:17,960 --> 00:00:22,880
Dentro das suas faixas, a Lua 
cheia que ouvira marchar levado 

6
00:00:22,880 --> 00:00:26,200
no seu sonho de Conquista e de 
fama, começava a minguar. 

7
00:00:26,600 --> 00:00:29,760
Quando um dos seus cavaleiros 
apareceu com as armas rotas 

8
00:00:29,880 --> 00:00:33,800
negro do sangue seco e do pó dos
caminhos, trazendo à marga nova 

9
00:00:33,800 --> 00:00:37,960
de uma Batalha perdida e da 
morte do rei, trespassado por 7 

10
00:00:37,960 --> 00:00:41,160
lanças entre a flor da sua 
nobreza à beira de um grande 

11
00:00:41,160 --> 00:00:45,320
Rio, a rainha chorou 
magnificamente o rei chorou 

12
00:00:45,320 --> 00:00:49,120
ainda desoladamente o esposo, 
que era Formoso e alegre, mas 

13
00:00:49,120 --> 00:00:52,360
sobretudo chorou ansiosamente o 
pai, que assim deixava o 

14
00:00:52,360 --> 00:00:55,200
filhinho desamparado. 
No meio de tantos inimigos da 

15
00:00:55,200 --> 00:00:59,320
sua frágil vida e do Reino que 
seria seu sem um braço que o 

16
00:00:59,320 --> 00:01:05,360
defendesse, forte pela força e 
forte pelo amor desses inimigos,

17
00:01:05,360 --> 00:01:09,360
o mais temeroso era seu tio, 
irmão bastardo do rei homem 

18
00:01:09,360 --> 00:01:14,200
depravado e bravio, consumido de
cobiças grosseiras, desejando só

19
00:01:14,200 --> 00:01:17,720
a Realeza por causa dos seus 
tesouros e que havia anos vivia 

20
00:01:17,720 --> 00:01:21,200
num castelo sobre os Montes, 
como a horda de rebeldes. 

21
00:01:21,480 --> 00:01:24,560
À maneira de um lobo que de 
Atalaia, no seu fojo, espera a 

22
00:01:24,560 --> 00:01:29,400
presa, AI a presa agora era 
aquela criancinha, rei de mama, 

23
00:01:29,720 --> 00:01:33,360
senhor de tantas províncias, e 
que dormia no seu berço, com o 

24
00:01:33,360 --> 00:01:37,040
seu guizo de ouro fechado na mão
ao lado dele. 

25
00:01:37,040 --> 00:01:40,040
Outro menino dormia noutro 
berço, mas este era um 

26
00:01:40,040 --> 00:01:43,640
escravozinho, filho da Bela e 
robusta escrava que amamentava o

27
00:01:43,640 --> 00:01:46,440
príncipe. 
Ambos tinham nascido na mesma 

28
00:01:46,440 --> 00:01:48,960
noite de verão, o mesmo seios 
criava. 

29
00:01:50,040 --> 00:01:52,640
Quando a rainha, antes de 
adormecer, vinha beijar o 

30
00:01:52,640 --> 00:01:55,960
principezinho, que tinha o 
cabelo louro e fino, beijava 

31
00:01:55,960 --> 00:01:58,600
também por amor dele o 
escravozinho, que tinha o cabelo

32
00:01:58,600 --> 00:02:02,360
negro e crespo, os olhos de 
ambos reluziam como pedras 

33
00:02:02,360 --> 00:02:05,240
preciosas. 
Somente o berço de um era 

34
00:02:05,240 --> 00:02:09,600
magnífico e de marfim entre 
burcados e o berço do outro, 

35
00:02:09,759 --> 00:02:15,040
pobre e de verga, aliás escrava,
porém, a ambos cercava de 

36
00:02:15,040 --> 00:02:18,960
carinha igual, porque se um era 
o seu filho, o outro seria o seu

37
00:02:18,960 --> 00:02:22,360
rei. 
Nascida naquela casa real, ela 

38
00:02:22,360 --> 00:02:24,960
tinha a paixão, a religião dos 
seus senhores. 

39
00:02:25,440 --> 00:02:28,240
Nenhum, perante correra mais 
sentidamente do que o seu pelo 

40
00:02:28,240 --> 00:02:32,160
rei morto à beira do grande Rio.
Pertencia, porém, a uma raça que

41
00:02:32,160 --> 00:02:34,560
acredita que a vida da Terra se 
continua no céu. 

42
00:02:35,320 --> 00:02:38,560
O rei, se eu amo, de certo, já 
estaria agora reinando num outro

43
00:02:38,560 --> 00:02:42,240
Reino, para além das nuvens, 
apontando também em searas e 

44
00:02:42,240 --> 00:02:46,400
cidades, o seu cavalo de 
Batalha, as suas armas, os seus 

45
00:02:46,400 --> 00:02:48,840
pajes, tinham subido com ele às 
alturas. 

46
00:02:49,400 --> 00:02:52,480
Os seus vassalos que fossem 
morrendo prontamente, iriam 

47
00:02:52,640 --> 00:02:57,000
nesse Reino celeste retomar em 
torno dele a sua vassalagem, e 

48
00:02:57,000 --> 00:02:59,920
ela, um dia, por seu turno, 
remontaria num raio de luz a 

49
00:02:59,920 --> 00:03:03,120
habitar um Palácio do seu 
senhor, e afiar de novo o linho 

50
00:03:03,120 --> 00:03:06,440
das suas túnicas e acender de 
novo a caçoleta dos seus 

51
00:03:06,440 --> 00:03:09,840
perfumes. 
Seria no céu como fora na Terra,

52
00:03:10,120 --> 00:03:14,480
e feliz na sua servidão. 
Todavia, também ela tremia pelo 

53
00:03:14,480 --> 00:03:18,600
seu principezinho quantas vezes 
com ele pendurado no peito? 

54
00:03:18,920 --> 00:03:23,080
Pensava na sua fragilidade, na 
sua longa infância, nos anos 

55
00:03:23,080 --> 00:03:26,200
lentos que correriam antes que 
ele fosse ao menos do tamanho de

56
00:03:26,200 --> 00:03:30,240
uma espada, e naquele tio cruel 
de face mais escura que a noite 

57
00:03:30,440 --> 00:03:34,000
e coração mais escuro que a 
face, famindo do trono e 

58
00:03:34,000 --> 00:03:36,560
espreitando de cima do seu 
Rochedo entre os alfandeses da 

59
00:03:36,560 --> 00:03:40,760
sua horda pobre, principezinho 
da sua alma como a terneira 

60
00:03:40,760 --> 00:03:42,600
maior. 
Apertava então nos braços. 

61
00:03:43,200 --> 00:03:46,360
Mas se o seu filho a chalrava ao
lado, era para ele que os seus 

62
00:03:46,360 --> 00:03:48,400
braços corriam com ardor mais 
feliz. 

63
00:03:48,840 --> 00:03:52,120
Esse, na sua indigência, nada 
tinha a recear da vida. 

64
00:03:52,640 --> 00:03:56,320
Desgraças, assaltos da sortemã 
nunca o poderiam deixar mais, 

65
00:03:56,320 --> 00:03:59,560
despido das glórias e bens do 
mundo do que já estava ali, no 

66
00:03:59,560 --> 00:04:02,960
seu berço, sob o pedaço de linho
branco que resguardava a sua 

67
00:04:02,960 --> 00:04:05,880
nudez. 
A existência, na verdade, era 

68
00:04:05,880 --> 00:04:08,760
para ele mais preciosa e digna 
de ser conservada que a do seu 

69
00:04:08,760 --> 00:04:11,360
príncipe, porque nenhum dos 
duros cuidados com que ela 

70
00:04:11,360 --> 00:04:14,880
regresse à alma dos senhores 
roçaria sequer a sua alma livre 

71
00:04:14,880 --> 00:04:17,880
e simples de escravo. 
E como se o amasse mais, por 

72
00:04:17,880 --> 00:04:21,399
aquela humildade, ditosa cobria 
o seu corpinho gordo de beijos 

73
00:04:21,399 --> 00:04:25,200
pesados e devoradores dos beijos
que ela fazia ligeiros sobre as 

74
00:04:25,200 --> 00:04:29,880
mãos do seu príncipe. 
No entanto, um grande temor 

75
00:04:29,880 --> 00:04:32,760
enchia o Palácio, onde agora 
reinava uma mulher entre 

76
00:04:32,760 --> 00:04:36,520
mulheres, o bastardo, o homem de
rapina, que errava no cimo das 

77
00:04:36,520 --> 00:04:40,720
serras, descera a planície com a
sua horda e já através de casais

78
00:04:40,720 --> 00:04:44,200
e aldeias felizes, IA deixando 
um suco de matança em ruínas. 

79
00:04:44,840 --> 00:04:47,920
As portas da cidade tinham sido 
seguras, com cadeias mais 

80
00:04:47,920 --> 00:04:50,840
Fortes. 
Nas atalaias ardiam lumes mais 

81
00:04:50,840 --> 00:04:54,280
altos, mas à defesa faltava 
disciplina viril. 

82
00:04:54,920 --> 00:04:57,160
Marroca não governa como uma 
espada. 

83
00:04:58,040 --> 00:05:01,840
Toda a nobreza fiel perecera na 
grande Batalha, e a rainha 

84
00:05:01,840 --> 00:05:04,880
desventurosa apenas sabia correr
a cada instante ao berço do seu 

85
00:05:04,880 --> 00:05:09,520
filhinho e chorar sobre ele a 
sua fraqueza de viúva só a ama 

86
00:05:09,520 --> 00:05:13,040
leal parecia segura, como se os 
braços em que estreitavam o seu 

87
00:05:13,040 --> 00:05:15,440
príncipe. 
Fossem muralhas de uma cidadela 

88
00:05:15,440 --> 00:05:17,520
que nenhuma audácia pode 
transpor. 

89
00:05:18,720 --> 00:05:21,720
Ora, uma noite, noite de 
silêncio e de escuridão, indo 

90
00:05:21,720 --> 00:05:25,440
ela a adormecer, já despida no 
seu catre entre os seus 2 

91
00:05:25,440 --> 00:05:28,680
meninos. 
Adivinhou mais que sentiu um 

92
00:05:28,680 --> 00:05:32,840
curto rumor de ferro e de briga 
longe à entrada dos verejeiros 

93
00:05:32,840 --> 00:05:36,600
reais, embrulhada à pressa num 
pano, atirando os cabelos para 

94
00:05:36,600 --> 00:05:40,280
trás, escutou ansiosamente na 
Terra areada, entre os 

95
00:05:40,280 --> 00:05:43,320
jasmineiros corriam passos 
pesados e rodos. 

96
00:05:43,840 --> 00:05:47,760
Depois houve um gemido, um corpo
tombando, moldemente sobre Lajes

97
00:05:47,760 --> 00:05:51,800
como um fardo, descerrou 
violentamente a cortina e além, 

98
00:05:51,800 --> 00:05:55,800
ao fundo da Galeria avistou 
homens, um clarão de internas, 

99
00:05:55,960 --> 00:06:00,160
brilhos de armas num relance. 
Tudo compreendeu, o Palácio 

100
00:06:00,160 --> 00:06:03,760
surpreendido o bastardo cruel 
vindo roubar, matar o seu 

101
00:06:03,760 --> 00:06:06,200
príncipe. 
Então, rapidamente, sem uma 

102
00:06:06,200 --> 00:06:09,480
vacilação, uma dúvida arrebatou 
o príncipe do seu berço de 

103
00:06:09,480 --> 00:06:12,200
marfim, atirou para o pobre 
berço de verga. 

104
00:06:12,320 --> 00:06:15,320
E tendo o seu filho do berço 
servil entre beijos 

105
00:06:15,320 --> 00:06:19,440
desesperados, deitou o no berçal
real que cobriu com um bocado. 

106
00:06:20,600 --> 00:06:24,040
Bruscamente um homem enorme de 
face flamejante com um manto 

107
00:06:24,040 --> 00:06:27,640
negro sobre a quota de malha, 
surgiu à porta da Câmara, entre 

108
00:06:27,640 --> 00:06:31,400
outros que erguiam lanternas, 
olhou, correu ao berço de 

109
00:06:31,400 --> 00:06:34,680
marfim, onde os burcados luziam,
arrancou a criança. 

110
00:06:34,680 --> 00:06:37,600
Como se arranca uma bolsa de 
ouro e abafando os seus gritos 

111
00:06:37,600 --> 00:06:39,640
no manto? 
Abalou o furiosamente. 

112
00:06:41,360 --> 00:06:45,240
O príncipe dormia no seu novo 
berço, a ama ficar imóvel no 

113
00:06:45,240 --> 00:06:49,400
silêncio e na treva, mas brados 
de alarma, troaram de repente o 

114
00:06:49,400 --> 00:06:52,880
Palácio pelas janelas que 
perpassou o longo flamejar das 

115
00:06:52,880 --> 00:06:57,320
tochas, os pátios ressoavam com 
o bater das armas e desgrenhada 

116
00:06:57,320 --> 00:06:59,640
quase nua. 
A rainha invadiu a Câmara entre 

117
00:06:59,640 --> 00:07:01,320
as aias, gritando pelo seu 
filho. 

118
00:07:01,920 --> 00:07:04,760
Ao avistar o berço de marfim, 
com as roupas desmanchadas 

119
00:07:04,760 --> 00:07:08,160
vazio, caiu sobre as Lajes num 
choro de espadaçada. 

120
00:07:08,800 --> 00:07:12,640
Então, calada, muito lenta, 
muito pálida, a ama descobriu o 

121
00:07:12,640 --> 00:07:16,440
pobre berço de verga. 
O príncipe lá estava quieto, 

122
00:07:16,440 --> 00:07:20,400
adormecido, num sonho que o 
fazia sorrir, lhe iluminava toda

123
00:07:20,400 --> 00:07:22,120
a face entre os seus cabelos de 
ouro. 

124
00:07:23,200 --> 00:07:26,640
A mãe caiu sobre o berço com um 
suspiro, como cai um corpo 

125
00:07:26,640 --> 00:07:29,640
morto. 
E nesse instante um novo clamor 

126
00:07:29,640 --> 00:07:33,120
abalou a Galeria de mármore. 
Era o Capitão das guardas, a sua

127
00:07:33,120 --> 00:07:37,040
gente fiel nos seus clamores. 
Havia, porém, mais tristeza que 

128
00:07:37,040 --> 00:07:40,120
triunfo. 
O bastardo morrer colhido ao 

129
00:07:40,120 --> 00:07:43,320
fugir entre o Palácio e a 
cidadela, esmagado pela forte 

130
00:07:43,320 --> 00:07:47,880
legião de arecheiros sucumbir a 
ele e 20 da sua horda, o seu 

131
00:07:47,880 --> 00:07:52,080
corpo lá ficara com flechas no 
flanco, numa poça de sangue, mas

132
00:07:52,160 --> 00:07:55,920
AI dor sem nome, o corpozinho 
tenro do príncipe, lá ficara 

133
00:07:55,920 --> 00:08:00,920
também envolto num manto já frio
roxo, ainda nas mãos ferozes que

134
00:08:00,920 --> 00:08:05,280
o tinham esganado. 
Assim tumultuosamente lançavam 

135
00:08:05,280 --> 00:08:09,440
nova, cruel, os homens de armas.
Quando a rainha, deslumbrada com

136
00:08:09,440 --> 00:08:12,800
lágrimas entre risos, ergueu nos
braços para lhe mostrar o 

137
00:08:12,800 --> 00:08:16,800
príncipe que despertara, foi um 
espanto, uma aclamação, quem o 

138
00:08:16,800 --> 00:08:21,320
salvara, quem lá estava junto do
berço de marfim vazio, muda 

139
00:08:21,320 --> 00:08:26,840
irta, aquela que o salvara serva
sublimamente leal for ela que, 

140
00:08:26,840 --> 00:08:30,160
para conservar a vida ao seu 
príncipe, mandar a morte do seu 

141
00:08:30,160 --> 00:08:35,640
filho, então só então a mãe 
ditosa, emergindo da sua Alegria

142
00:08:35,640 --> 00:08:38,320
estática. 
Abraçou apaixonadamente a mãe 

143
00:08:38,320 --> 00:08:41,799
dolorosa e a beijou, e lhe 
chamou irmã do seu coração. 

144
00:08:42,600 --> 00:08:45,560
E diante daquela multidão que se
apertava na Galeria, veio uma 

145
00:08:45,560 --> 00:08:48,640
nova ardente aclamação com 
súplicas de que fosse 

146
00:08:48,640 --> 00:08:52,440
recompensada magnificamente a 
serva admirável que salvaram o 

147
00:08:52,440 --> 00:08:56,080
rei e o Reino. 
Mas como que bolsas de oiro 

148
00:08:56,080 --> 00:08:59,720
podem pagar? 
Um filho, então um velho de 

149
00:08:59,720 --> 00:09:02,600
casta nobre, lembrou que ela 
fosse levada ao Tesouro real. 

150
00:09:02,880 --> 00:09:05,280
E escolher se de entre essas 
riquezas, que eram como as 

151
00:09:05,280 --> 00:09:08,640
maiores dos maiores tesouros da 
Índia, todas as que o seu desejo

152
00:09:08,640 --> 00:09:12,520
obedecesse. 
A rainha tomou a mão da serva e 

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00:09:12,520 --> 00:09:16,000
sem que a sua face de mármore 
perdesse a rigidez com o andar 

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00:09:16,000 --> 00:09:19,400
de morta, como num sonho, Ela 
Foi assim conduzida para a 

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00:09:19,400 --> 00:09:23,640
Câmara dos tesouros. 
Senhores áreas, homens de armas 

156
00:09:23,800 --> 00:09:26,480
seguiam no respeito, tão 
comovido que apenas se ouvia o 

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00:09:26,480 --> 00:09:30,160
roçar das sandálias. 
Nas Lajes, as espessas portas do

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00:09:30,160 --> 00:09:33,680
Tesouro rodaram lentamente. 
E quando um cérebro destrancou 

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00:09:33,680 --> 00:09:38,080
as janelas a luz da madrugada, 
já clara e rosa, entrando pelos 

160
00:09:38,080 --> 00:09:41,640
gradeamentos de ferro, acendeu 
um maravilhoso e faiscante de 

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00:09:41,640 --> 00:09:46,040
incêndio de oiro e pedrarias do 
chão de rocha até às sombrias 

162
00:09:46,040 --> 00:09:50,840
abóboras por toda a Câmara 
reluziam se cintilavam reflegiam

163
00:09:50,840 --> 00:09:54,400
os escudos de oiro, as armas 
marchatadas, os montões de 

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00:09:54,400 --> 00:09:59,560
diamantes, as pilhas de moedas, 
os longos fios de pérolas, todas

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00:09:59,560 --> 00:10:03,000
as riquezas daquele Reino. 
Acumuladas por 100 reis durante 

166
00:10:03,000 --> 00:10:08,800
20 séculos, um longo, Ah, lento 
e maravilhado, passou por sobre 

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00:10:08,800 --> 00:10:12,960
a turba que amortecera. 
Depois houve um silêncio ansioso

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00:10:14,040 --> 00:10:16,800
e no meio da Câmara, envolta na 
refulgência preciosa. 

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00:10:16,800 --> 00:10:21,040
A ama não se movia, apenas os 
seus olhos, brilhantes e secos, 

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00:10:21,240 --> 00:10:24,760
se tinham erguido para aquele 
céu que, além das grades, se 

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00:10:24,760 --> 00:10:28,960
tingia de rosa e de ouro. 
Era lá, nesse céu fresco de 

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00:10:28,960 --> 00:10:30,760
madrugada, que estava agora o 
seu menino. 

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00:10:31,160 --> 00:10:35,680
Estava lá e já o Sol se erguia e
era tarde, e o seu menino 

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00:10:35,680 --> 00:10:38,080
chorava, decerto, e procurava o 
seu peito. 

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00:10:39,080 --> 00:10:41,080
E então a ama sorriu e estendeu 
a mão. 

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00:10:41,680 --> 00:10:44,840
Todos seguiam sem respirar, 
aquele lento mover da sua mão 

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00:10:44,840 --> 00:10:47,680
aberta. 
Que joia maravilhosa, que fio de

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00:10:47,680 --> 00:10:50,440
diamantes que punhado de rubis 
IA ela escolher? 

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00:10:52,480 --> 00:10:56,800
A ama estendia a mão e sobre uns
cabelo ao lado entre o molho de 

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00:10:56,800 --> 00:11:00,320
armas, agarrou um punhal. 
Era um punhal de um velho rei 

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00:11:00,320 --> 00:11:05,080
todo cravejado de Esmeraldas e 
que valia uma província agarrar 

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00:11:05,080 --> 00:11:08,800
o punhal e com ele apertado 
fortemente na mão, apontando 

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00:11:08,800 --> 00:11:12,680
para o céu onde subiam os 
primeiros raios do Sol, encarou 

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00:11:12,680 --> 00:11:17,800
a rainha, a multidão e gritou, 
salvei o meu príncipe e agora 

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00:11:18,280 --> 00:11:22,480
vou dar de mamar ao meu filho e 
cravou o punhal no coração.

